Sobre o trânsito

Aparentemente eu me acostumei com carros. Com muitos carros.

Quando eu fazia análise uns dois anos atrás eu escolhia ir a pé. Não pegava um ônibus ou um táxi, preferia caminhar. Nunca gostei muito de carros. Mentira. Isso é uma grande mentira. Gosto de dirigir a esmo na noite, apenas sentindo o ambiente. Gosto da sensação de viajar de carro. Do caminho e do sono. E gosto das lembranças das voltas que dava com meu tio na época que eu achava que bala Halls preta matava.

Hoje em dia sinto que sou completamente ciente do caos do trânsito. Todos os dias saio da faculdade, faço a volta para pegar meu rumo e começo a imaginar o exército de automóveis erguendo-se no elevado. O Rio de Janeiro se tornou uma massa de aço.

Esses dias, completamente cercado, me peguei pensando como o trânsito fazia parte do meu cotidiano. É como se eu tivesse me fundido com todas aqueles pessoas que voltam para suas casas às sete da noite. Malditos coitados das sete horas; ele dividem a minha angústia.

Me assusta como me acostumei em vê-los em seus carros. Houve um tempo em que me sentia claustrofóbico quando cercado por tantos veículos. Agora sou apenas mais um adulto preso no espaço com os dois braços no volante e a perna ansiosa na embreagem.

Talvez isso signifique crescer.

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