Sobre egoísmo

Havia um folheto amarelado sobre a mesa. Ele era como um amuleto do passado, como uma lembrança de algo que eu devia prestar atenção em um momento diferente. Mas ele estava lá junto com outros tantos símbolos do meu quarto. A diferença é que ele não pertencia a lugar algum – por hora, só estava ali, inerte. (E eu só sabia uma coisa sobre ele, que não queria jogá-lo fora; não hoje).

O folheto funcionava como um dessas canções antigas. Canções que nasceram antes de nós – os seres que escreveram as canções. Músicas que talvez habitem o inconsciente; ou que talvez nunca tenhamos ouvido. É como se fosse possível lembrar de um tempo que não existiu. De um movimento que nunca fiz. De uma imagem de felicidade pálida. De memórias que vem como sonhos. A sensação é de retornar para algo que construí a partir do significado de conforto; de romance; de minha casa.

Eu, de novo, vou voltar por aquela estrada; mergulhar mais uma vez em mim mesmo.

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