Sobre madrugadas

A partir do meio dia a luz começa a entrar de forma vil pelas narinas das persianas. Daí para frente é um desastre. Eu acho que o sol não se importa muito comigo; ou com a minha hora.

Eu tateio o celular. Ainda existe uma parte minha que quer acreditar que são cinco da madrugada.

Meio dia e vinte. O diabo está sentado na poltrona.

Meia noite e vinte. Não há ninguém sentado. Parece até que eu fiz um contrato com a escuridão.

Eu gosto de madrugadas. Por mais que nunca deixem de ser somente madrugadas, elas sempre me passam a impressão de que tudo pode acontecer. Um telefonema. Uma mensagem. Uma ideia. O fim do mundo.

As madrugadas são como aquele argumento que utilizamos para defender bons documentários: a realidade só esperando para se tornar ficção.

E, seguindo o roteiro, nos deitamos taciturnos, inventando como nos sentimos.

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