Sobre o futuro

E se ele estiver errado?

Ele jazia posto de pé; os pés cerrados, os dedos contados. Não se movia – se ele estivesse se movendo, era numa velocidade tão pequena que os olhos deste narrador não captavam. No entanto, nem precisava ser bom narrador para descrever este recorte.

Ia assim. Mês passado tinha desistido de amar a mulher que não lhe amava. No anterior, se posto a trabalhar para os minutos do relógio. Hoje, arrancara uma página de um livro. Já não olhava para o teto. Já não gastava as horas. Já nada – e nada mesmo – lhe partia o coração.

O depois acabará assim: quando a paixão esvaziar.

O que sobra é só ruído e entulho. E tudo de novo.

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