Hiroshima, Meu Amor

Existem duas narrativas em Hiroshima, meu amor. A primeira é uma narrativa que corre por fora e envolve o filme, os atores e tudo mais. É a História do mundo. A narrativa do passado. A outra envolve todo o histórico romântico da personagem de Emanuelle Riva: o seu primeiro amor, já falecido, e a sua reencarnação japonesa representada por Eiji Okada.

Resnais não lamenta somente a guerra, mas todo o passado. Há uma presença gráfica das mazelas da guerra não porque existe um apelo, mas porque o diretor nos obriga a lembrar. É somente através da memória que se pode construir o presente.

Os personagens vivem num limbo onde relembrar é construir imagens, é ser capaz de ver com seus próprios olhos. A lembrança, no entanto, não deixará que o filme se prenda ao nostálgico, pelo contrário. A cidade de Hiroshima, como diz Eiji, nunca para – ainda que estejam lá as marcas da destruição: em sua herança radioativa, em seus museus, na pele e na alma de seu povo.

O real não escapa da vida dos personagens (nem mesmo no puro delírio de O ano passado em Marienbad eles conseguem escapar). O futuro é só realidade. Eles sabem que amar no mundo de verdade é esquecer. Porém, é possível se esquecer de um rosto, de uma situação, de um beijo, mas jamais se esquece da imagem sentimental de um cidade. É nela que os personagens decidem impor seus símbolos de paixão. E aí o filme se torna a história de Japão e França, de Hiroshima e Nevers, de presente e passado. Hiroshima, Meu Amor (1959, França) de Alan Resnais. ***

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s