Era uma Vez em Tóquio

Um olhar desatento pode fazer o espectador se enganar e acreditar que Ozu admira filmar paisagens. Porém, a composição dos espaços internos, deixa mais do que claro que a principal intenção da sua câmera é registrar os espaços particulares. A câmera sempre tenta enquadrar até mesmo os tetos das casas, de forma a colocar em cena todos os membros da família: pessoas, armários, prateleiras e quadros. Dentro dos planos de Ozu todos são culpados, vítimas, testemunhas e cúmplices.

Era uma vez em Tóquio é geralmente visto como um filme sobre velho e novo, sobre morte e vida, mas trata-se inicialmente de uma observação sigilosa sobre o egoísmo dentro do círculo familiar. Ozu usa uma mise-en-scène rigorosa para deixar as pequenas crueldades dos personagens surgirem do total silêncio.

O que emana de cada bloco familiar não é somente uma noção deturpada de tempo, mas uma visão completamente egocêntrica do seu tempo. Há quem diga que o diretor passou boa parte da carreira sempre pendendo para o lado antigo, mas Era Uma Vez em Tóquio dá voz a todos.

Se por uma lado nenhum personagem é poupado dessa exposição, por outro, Ozu não se dá o direto de impor qualquer julgamento sobre eles. Uma das personagens justifica toda aquela existência fugaz e assustada dizendo que a vida é simplesmente decepcionante. Não há, no entanto, pesar algum em sua constatação. Como o plano final do filme denota: o tempo precisa simplesmente seguir em frente. Era Uma Vez em Tóquio (1953, Japão) de Yasujiro Ozu. ****

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