Fluxo de imagens dela

“Por isso eu nunca acertava a hora da campainha, em que os pés se movimentavam de repente, sentindo a terra no chão arranhado, e o dia como uma vidraça golpeada de leve, mas como firmeza, e minhas entranhas se mexiam todas, eu imóvel no meu banco. Tudo se mexendo imóvel. Minhas entranhas se reviraram por ti. Ela estava parada à porta de repente. Benjy. Gritando. Benjamin filho da minha velhice gritando. Caddy! Caddy!

Eu vou fugir. Ele começou a chorar e ela veio e pôs a mão nele. Para de chorar. Não vou não. Para. Ele parou. Dilsey.”

Faulkner em O Som e a Fúria tão livre e aberto ao vazio de significados que só consigo comparar com o cinema de fluxo – onde a ausência marcial da narrativa nos permite sonhar junto com os personagens. Nessa parte, Quentin irrompe de um conversa em tempo real para seguir por um fluxo de memórias borradas que tem do tempo de criança em que a irmã (porque quem nutre uma paixão incestuosa) tenta acalmar o irmão mais velho (Benjy, que sofre de um forte retardo mental).

Um momento onde não se sabe se o clamar por Caddy é discurso dele ou do irmão. É quase impossível traçar com precisão a sequência dos fatos. Só é possível sentir o tremendo sofrimento do personagem ao recordar os dias que o levaram ao seu famigerado destino.

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