Tudo o que temos é o agora

# Há alguns meses não faço praticamente nada do que fazia regularmente há mais de quatro anos. Repare que não coloco nenhum tipo de ressentimento ou saudade nessa frase, trata-se somente da confirmação de que, inevitavelmente, o tempo passa e as coisas mudam.

# Se existe algo de cruel na substituição de nossas escolhas, é essa invencível capacidade de ignorar completamente o passado. Quem eu era há seis meses? O que eu queria? Quem eram aqueles que eu escolhi para amar e admirar? É quase como se os dias passados já fosse tão romantizados quanto as memórias da infância.

# As vontades de antes, então, se tornam invisíveis, quando antes eram a própria busca pela queda – o próprio salto. As vontades de hoje, por outro lado, costumam ser tão reais que nos assusta pensar que nunca imaginamos que as sentiríamos algum dia.

# O que é fascinante nisso tudo é a nossa capacidade de achar que cada vontade momentânea é a definitiva, e que todas as confusões passadas não passaram de meros acasos, de formas vulgares de chegar à atual percepção das coisas. Cada paixão é a verdadeira, cada escolha é a fundamental e cada dia é uma chance a mais de se arriscar.

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