Sobre coisas invisíveis

Existe um preço a ser pago por quem decide não acreditar em absolutamente nada.

Não acreditar em nada, no entanto, não é deixar de acreditar no que não se vê. Pelo contrário, esse tipo de escolha já pressupõe a decisão de legitimar suposições e expectativas – desde que, claro, essas sejam totalmente pessoais. Sem imagens para se adorar, o que sobra é a ambição pelo que pode acontecer. O futuro ainda não existe, mas acreditamos nele afinal. Torcemos para que coisas aconteçam, mesmo quando as possibilidades são totalmente escassas.

E, às vezes, pode parecer até melhor se apegar ao passado, mas é sempre válido lembrar – em algum momento do dia – que o passado é, agora, mais invisível do que o que ainda pode vir. Mesmo que nada saia como planejado, alguma coisa acontecerá – e o resto passará a ser só nostalgia.

Mais ou menos como To the Wonder (filme mais recente de Terrence Malick, que ilustra o post ali em cima) deixa a entender. Os personagens saltam de um continente para o outro. A elipse permite subentender a história, mas ela não elimina a existência de um oceano inteiro.

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