As coisas que não podemos mudar

Ele chegou ao palanque e seus olhos se tornaram cegos por uma luz azul. Não havia um lugar vazio sequer na plateia. “Eu sou superestimado”, disse fazendo reverência aos fantasmas. Era só um sonho, mas ele se sentia mais poderoso do que ninguém nunca antes fora. Nem Ulisses. Nem Alexandre, o grande. Nem Jesus Cristo. “Eu atacaria até o sol, se o sol me atacasse” disse a si mesmo.

Despertou repentinamente sem luzes no rosto. Teve consciência de suas qualidades e de seus desejos mundanos. Lembrou de sua condição engraçada de ser humano: “nunca disse que estou apaixonado por ela, simplesmente disse que gosto muito do chão que ela pisa”. Remexeu-se na cama, subiu o cobertor até a cabeça e se lembrou que há coisas que ele não pode mudar. Que há de se esperar mesmo. E que se o sol o atacasse, ele provavelmente morreria queimado.

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