O que é nosso

Tudo começou de um pequeno ponto. Insignificante, quase invisível.

Projetando um futuro de tempestades e nebulosas, o ponto se torna uma massa agitada que se contrai vigorosamente. Um grito silencioso se expande por toda imensidão varrendo véus de poeira que cobrem todo o espaço negro e infinito. Nasce algo do absoluto nada.

Os dias passam. Com eles as semanas, os meses, os anos.

Sob os pés de um mundo recém formado, uma silhueta se dispõe. Caminha intrépida por uma sala abafada e se coloca no centro, como se toda a energia do universo estivesse guardada ali. A sala, é só uma sala. E o centro, afinal, é somente um ponto qualquer.

Nesse ambiente novo, não há planetas e supernovas, nem nuvens cósmicas ou eventos maiores que a existência. Só existe uma nova perspectiva, uma nova possibilidade, uma nova célula.

Aos que jogam com esse infinito se dá a alcunha de românticos. Injustiçados, eles são os que teimam, com digna ansiedade, em relembrar o que o resto do mundo vive para esquecer.  Que, se tudo é fugaz, não há nada mais racional do que mirar o universo todos os dias, em todas as coisas. Mesmo que isso dure uma temporada. Um objetivo. Um amor. Um momento de silêncio. Uma ambição. Um segundo em que se percebe o que se quer. E outro segundo em que se descobre o que fazer para conseguir.

Mas eles se tornam românticos mesmo quando percebem que é preciso mais do que um oceano inteiro para pará-los.

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