Mais dois meses

Existe apenas um pequeno tempo para acertar tudo, corrigir erros, preencher espaços vazios, encontrar respostas.

No momento crucial, poderei ser mais do que um mero espectador? No ápice, no clímax, será que vou conseguir colocar os dois pés no chão? Na fim da estrada, vou recriar minhas expectativas? Minha realidade será repensada?

Vivi cem livros de García Márquez (que a terra comeu). Mesmo sem nenhuma grande inspiração (que o tempo comeu) que não minha própria imaginação – de onde tirei sustento para praticamente tudo que precisei.

Quando o dia acabar, vou estar pronto? Meu quarto vai estar bagunçado? Meu sono desregulado? Meu partido fora do poder?

Silêncio!

Medíocre de novo?! Parece o ensino médio. Não, eu não vou aceitar isso. Eu simplesmente não aceito isso. No corpo, no dia, no que eu quero; me ajude suspirando um “não” às minhas pancadas.

Só um mais um segundinho de sono!

Nunca precisei de muita coisa: uma ambição e o corpo por onde meu sangue circula.

Eu sei que você é igual com todos, mas faço desse seu humor combustível para meu dia inteiro. Eu gosto dos seus olhares quando você fica com raiva.

E com a última frase me lembrei de “Bluish” do Animal Collective: e todo meu ano de 2009 fez mais sentido em 2014. Eu guardei esse disco, presente de um amigo, em um lugar de destaque. Obrigado!

Amigos que estive em falta. Que fizeram falta. Mas tanta coisa fez falta… sei que há desculpa para todas essas ausências.

Tem uma hora que devemos parar de culpar nossos pais. Mesmo que a gente não queira envelhecer, ninguém quer mais ser ordenado.

Seis da manhã, não há um carro sequer nas ruas. O sol surgindo calmamente: Rio de Janeiro, eu te amo, mas você está me deixando puto.

Está acabando. Eu prometo!

Eu acordei certa manhã de sonhos intranquilos e misturei tudo que havia em minha cabeça: discos, filmes, livros, memórias, barulhos. E fez muito sentido. Escrevi algumas (várias) linhas, porque é escrevendo que se aceita o tempo que já passou.

Vamos lá risco, pegue esse outro corpo inerte e jogue-o para cima, porque, se depender desta nova gravidade, ele não volta mais. Nunca mais.

Mais dois meses.

Ok, ainda falta, mas estou de acordo com tudo.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s