Um sujeito de raciocínio lento

“Jordan Baker evitava instintivamente os homens espertos e argutos, e agora sei o motivo: sentia-se mais segura em um terreno onde qualquer discordância à norma não era sequer concebível. Não suportava estar em desvantagem e, dada a essa aversão, suponho que tenha aprendido muito cedo a lidar com subterfúgios, a fim de manter aquele sorriso blasé e insolente diante dos outros e ainda assim satisfazer as necessidades de seu corpo firme e elegante.

Para mim, não fazia a menor diferença. A desonestidade feminina é algo que nunca se reprova a fundo – só fiquei um pouco aborrecido e então deixei o assunto para lá. […]

[…] ela havia transformado de propósito a natureza de nosso relacionamento e, por um instante, julguei que a amava. Mas sou sujeito de raciocínio lento e tenho uma porção de regras internas que agem como freios para meus desejos, e sabia que primeiro precisava me distanciar daquele emaranhado de sentimentos. Eu já estava escrevendo a Jordan uma vez por semana e assinando: “Com amor, Nick”, e tudo o que pensava era que, ao jogar tênis, seu lábio superior era tomado por um tênue bigode de suor. Ainda assim, havia um vago entendimento entre nós que precisava ser cuidadosamente quebrado antes que eu pudesse me considerar livre.

Todo mundo gosta de se atribuir ao menos uma das virtudes cardinais, e esta é a minha: sou uma das poucas pessoas honestas deste mundo.”

(O grande Gatsby de F. Scott Fitzgerald. Págs 121-122)

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