Psicografia de um romance (I)

Estudo número #1:

Já faz um bom tempo que eu memorizei seu rosto.

Memorizei principalmente porque sempre tenho a sensação de vamos sumir a qualquer momento – nos tornar invisíveis para o resto mundo. Como se somente nós soubemos a explicação para o passar das horas e para as esquizofrenias do relógio. Não nos resta um pingo de humildade. Se passamos muito tempo recusando alpinismos sociais e destilações de sabedoria, é porque sabíamos que podíamos confiar nas abstrações do que dizemos. Mas o dia acaba antes que eu possa manipular de novo as palavras.

E eu sempre quero te dar flores, mas a temporada nunca me permite.

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