O meu silêncio

Vejo de longe – ou imagino – uma grande soleira onde as árvores recuam delicadamente, como se estivessem curvando-se diante daquele lugar. Acredito que o vento bateria agressivamente contra as folhas, agitando o fogo e as sombras.

Nesse local, não existem diferenças ou semelhanças, verdades ou mentiras. Não trata-se de uma manifestação de felicidade, é algo mais simples. Não é, também, fruto de um silêncio como o que vem lá de cima e sim um silêncio dinâmico, que fomenta novas dúvidas.

Aqui posso, enfim, ouvir alguém. Posso ouvir na água. Nos murmúrios do vento. Está em toda as partes, trêmula como uma chama falciforme. Pelas sombras, seguindo e seguindo, até o limiar da noite. Caminhando preguiçosamente, mas sempre competente e orgulhosa.

Muitas estações passaram, até que finalmente as folhas caíram no chão. Elas não esperaram por nós. Em breve irão renascer: mais firmes, mais tolerantes, conscientes de que um limite conhecido, é um limite do passado.

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