Top 10 | Faixas 2015

Para ouvir as músicas clique nos títulos.

mybabydont

10. My Baby Don’t Understand Me – Natalie Prass

“What do you do when that happens? Where do you go?”

Talvez fosse necessário tentar explicar como Natalie se apropria de elementos do country pop que é extremamente popular nos EUA, mas que daria sono em qualquer pessoa que conheça minimamente o cenário, e o torna mais elaborado, mais rico em detalhes. Porém, o que mais me chama a atenção nessa faixa é como com um sentimento comum, uma melodia simplória e uma produção perfeccionista, Prass encontra a canção pop mais contundente de 2015.

therenoshade

9. No Shadow in the Shade of the Cross – Sufjan Stevens

“Like my mother give wings to a stone”

Não importa o quão vasta seja a imaginação de Stevens, suas imagens são sempre fruto da sua formação cristã. Nesse ponto, esta faixa se mostra a mais intensa entre as que ele escreveu esse ano, é nela que o compositor consegue unir todo seu imaginário e dar forma ao sentimento de isolamento que assombra todo o álbum recente (Carrie & Lowell). Stevens continua sendo o mais talentoso de sua geração. De arrancar lágrimas de uma pedra.

atomdance

8. Atom Dance – Björk

“Enter the pain and dance with me”

Há alguns anos a compositora islandesa encontrou a nova gramática da sua música na força da natureza. Atom Dance é, nesse sentido, o magnum opus dela. Extrapolando os limites do visível, Björk inventa uma dança de átomos, colocando toda nossa unidade além do mundo observável, buscando a emoção da dança naquilo que há de mais complexo e belo na existência. Com violinos que rasgam a sua voz e a dramaticidade dos backing vocals de Antony Hegarty, a moça, de novo, nos convida ao desconhecido.

lonelywanderer

7. Lonely Wanderer – Panda Bear

“Was it worthwhile?”

Repetindo um sampler de Arabesque do compositor francês Claude Debussy, Noah tenta nos colocar no core emotivo de Lonely Wanderer, carregando-nos com ela a uma reflexão particular sobre a finitude da vida. Com um desdobrar lento e preciso, o sujeito nos pergunta se todas as nossas decisões e idiossincrasias nos levaram para o lugar certo… se, enfim, a jornada valeu a pena. Colocaria Brian Wilson para chorar copiosamente.

sill

6. Silhouettes – Floating Points

Jazz, música clássica, ambient e muita sensibilidade. É basicamente o que se pode dizer dessa obra gigantesca, que simula um passeio cósmico às diversas referências musicais de Sam Shepherd. Como um bom nerd de música, o sujeito minou tudo que ele acreditava ser fundamental e colocou nesse frankenstein, tão repleto de detalhes que cada revisão minuciosa ainda mostrará segredos. Um verdadeiro presente ao ouvinte que se aventura nos seus 10 minutos de revelações, desdobramentos e perplexidade diante das possibilidades que somente a música permite.

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5. i – Kendrick Lamar

“I promise this: I love myself”

King Kunta, The Blacker the Berry, Wesley’s Theory, you name it. Não importa para onde olhamos, em 2015 ninguém escreveu tantas canções importantes e incríveis como Lamar. Porém, enquanto a maioria das obra-primas de To Pimp a Butterfly focam o lado mais agressivo da poesia dele, i foca no lado festivo que existe nela. Com um mero “I love myself” e uma guitarra redentora, Kendrick dá nova vida à cultura negra, com todo seu esplendor e relevância, com sua rica cultura, religião e música. Trata-se do grito mais direto e poderoso do maior rapper vivo: que se dane o resto quando você ama a si mesmo.

time

4. Time, as a Sympton – Joanna Newsom

“Not axe nor hammer, tumor, tremor, can take it away, and it remains”

Recém casada com o comediante Andy Samberg, Joanna nos leva a meditar sobre as certezas do tempo e o mistério que ainda é a significação do amor e da morte. No mais, é apenas outra canção de Joanna Newsom – com o detalhe de que outra canção dela, nunca é somente uma qualquer. Ainda apoiando-se sobre seus vocais excêntricos, ela vai escalonando uma melodia de piano que vai subindo até se sustentar na força da letra (“the joy of life” ela repete enquanto ouvimos pássaros cantando no fundo). Talvez seja a faixa mais casual que ela escreveu, mas é certamente uma das mais belas. Eu juro: o clímax é a prova da superação humana. Transcendente e uma lembrança de que ninguém escreve letras como ela.

sundaycandy

3. Sunday Candy – Donnie Trumpet & the Social Experiment

“I ain’t seen you in a minute let me take my butt to church”

Chance the Rapper, o cara que desde que apareceu só nos oferece obras do mais sereno estado de graça. Qualquer projeto que ele se envolva dá certo, é impressionante. No caso dessa faixa, Chance atualiza a gospel e a música tradicional, trabalhando um tema muito caro ao hip hop: a família. Mas ele é diferente de tudo. Com paixão e bom humor, Chance volta à infância para lembrar da sua avó, transformando a memória do amor no maior dos elementos sagrados. Quase uma cantiga infantil, Sunday Candy é uma das maiores vitórias do hip hop em 2015: inovador e alegre.

realiti

2. REALiTi (Demo) – Grimes

“Baby every morning there are moutains to climb”

Se eu pudesse eu voltaria no tempo e retiraria metade das coisas que eu disse sobre Grimes. Me desculpo agora: está aí a voz de uma geração. Pra começar, Grimes administra com perfeita sintonia a absurda distinção que existe entre a música eletrônica das grandes paradas e a delicadeza sentimental do synthpop. Ela teve que errar feio com Go em 2014 para encontrar um meio termo, uma dimensão ideal. Daí que essa versão demo de ReALiTi simboliza esse encaixe, com seu ambiente obscuro e solitário sendo delicadamente bombardeado por sintetizadores calorosos. Por fim, também demonstra a sua capacidade de se comunicar com o tempo em que vivemos. Aqui ela pinta o painel: a verdade não está mais lá fora nas ruas, mas dentro de nós, e a beleza de se notar isso é tão forte que pode nos enlouquecer muita das vezes. Dialogar com a realidade é o desafio.

iknowthere

 1. I Know There’s Gonna Be (Good Times) – Jamie XX

“I’ll survive in a mothafuckin’ gutter”

O sujeito mais clássico da eletrônica moderna se junta com o rapper mais emocional do cenário, o resultado é essa falsa feed good music, uma verdadeira arma de nostalgia. O que mais me impressiona, toda vez que eu ouço a música (e não foram poucas), é sua incrível atmosfera. Mais do que a sua alma pop, I Know There’s Gonna Be possuí uma característica rara na música contemporânea: uma capacidade singular de ecoar o passado sem se entregar cegamente. Quase como um Bob Dylan, Jamie vai atrás de uma sonoridade particular (os anos dourados da soul music) e a atualiza com respeito e imaginação (ouvimos ecos de balearic beat, house, IDM e uma porção de outras coisas). Bom perceber que, para Jamie XX, o passado é a fonte de toda ambição e o futuro o caminho a seguir.

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